PT e PSB: líderes demonstram caminho aberto para aliança

quinta-feira, março 18, 2021
Com a possível manutenção da elegibilidade do ex-presidente Lula (PT), a aliança entre PT e PSB vem dando sinais de reconstrução. Publicamente, representantes políticos confirmam possível aliança. A novidade movimenta tanto os cenários nacional quanto o local. Em Pernambuco, por exemplo, a possibilidade da união “em prol de um bem comum” guia o reatar de alianças entre as duas forças políticas – que dominam o Norte e o Nordeste. Os olhos seguem fitados para 2022.

Tanto o Partido dos Trabalhadores quanto o Partido Socialista Brasileiro passaram por situações de choque na eleição municipal de 2020. Dois representantes das alas, Marília Arraes (PT) e João Campos (PSB) protagonizaram, pela primeira vez, uma eleição polarizada entre “partidos aliados” na capital pernambucana. Como resultado, os aliados desde 1989 quebraram alianças – partindo para o campo da oposição e, logo depois, da independência.

Em recente entrevista ao Diário, representantes das legendas não descartaram o reatar de laços para 2022. Tudo isso, segundo apontam especialistas, vem do “efeito Lula” e da importância que a maior liderança petista possui no Brasil e a força que mantém no Nordeste.

O deputado federal Milton Coelho (PSB) não descarta aliança com o PT, destaca que o que aconteceu em 2020 ficou para história e reforça a máxima de uma unidade para 2022. “As eleições para prefeito já passaram. Nós temos que ter capacidade de virar a página para conseguir ler o livro. A eleição de 2020 é parte da história agora. Temos que olhar para frente, o que fazer e de agora por diante. Não está descartado o diálogo com nenhuma força política. Desde que esteja disposta a construir uma unidade programática para tirar o Brasil da crise política, institucional, econômica e social que se encontra”, destacou em recente entrevista ao Diário de Pernambuco.

A mesma máxima é defendida pelo deputado federal Carlos Veras (PT). O petista, inclusive, não tece críticas à possível volta da aliança entre as siglas. “... o futuro em 2022 será novamente decidido pela direção nacional do PT. Construindo todo o processo, inclusive, em torno da candidatura à presidência do ex-presidente Lula. As conversas e se a gente vai ter uma candidatura própria em Pernambuco, que temos muitos quadros, como o senador Humberto Costa, a deputada Marília Arraes, vai depender desse processo de construir em nível nacional.

De acordo com o cientista político Rodolfo Marques, “O elo que o PT e o PSB possui transpassa essa crise que sofreu em 2020. Desde 1989 que eles se uniram para formar uma Frente Popular. Desde então, eles vêm crescendo Brasil afora. Não é um episódio específico que vai acabar com a história. Ambos possuem o mesmo objetivo: melhorar a vida da população”.

Questionado sobre essa unidade, o especialista aponta: “O PT pode se reaproximar do PSB para que haja uma candidatura única. Esse apoio entre eles pode dar um certo apoio no nível nacional”.

Entre os socialistas, visando 2022 nacionalmente, a fala é única: o plano agora é se unir ao PT para 2022. "Entre Ciro e Lula, precisamos ter conhecimento básico para saber que Lula é mais forte. Além de ser do estado, ele fez muita coisa para o povo brasileiro, especialmente para o nordeste... é uma força que transcende brigas passadas", assuntou um líder socialista.

Em reserva, socialistas e petistas confirmam uma “conjuração” entre as siglas e apontam que costuras já estão sendo feitas. “Desde quando ressurgiu a possibilidade de Lula se eleger, a base tremeu e muita gente se moveu por aqui… a intenção é trazer o partido de volta à base”, conjecturou um socialista.

“Existe um problema que não deve ser levado em conta…são águas passadas e elas não fazem nada além de paralisar as coisas”, suscitou um líder petista em reserva.

Diário de Pernambuco

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