Pandemia eleva pobreza na América Latina a níveis mais altos em 12 anos

quinta-feira, março 04, 2021
Segundo a Cepal, como consequência da aguda crise econômica derivada da pandemia de coronavírus, que causou uma queda de 7,7% no PIB em todo o ano de 2020 na América Latina, a pobreza atingiu 209 milhões de pessoas, 33,7% da população total da região, de 654 milhões de habitantes.


Enquanto isso, a pobreza extrema afetou 78 milhões de pessoas.


Com mais de 20 milhões de casos e mais de 635.000 mortes ligadas à doença, a América Latina é a segunda região mais atingida pelo coronavírus no mundo, atrás da Europa.


Segundo a Cepal, com 8,4% da população mundial, a América Latina registrou 27,8% das mortes pelo vírus.


Além do baixo crescimento e do aumento da pobreza, a crise revelou crescentes tensões sociais, desigualdades estruturais nas sociedades latino-americanas e altos níveis de informalidade e vulnerabilidade social.


Da mesma forma, agravaram-se as brechas sociais, principalmente "a injusta divisão sexual do trabalho e a organização social do cuidado, o que compromete o pleno exercício dos direitos e da autonomia das mulheres", afirma a Cepal.


"A pandemia evidenciou e exacerbou as grandes lacunas estruturais da região e, atualmente, há um momento de grande incerteza em que ainda não se delineou a forma nem a velocidade de saída da crise", destaca Alicia Bárcena, secretária-geral da Cepal, no relatório.


A Cepal insta a garantir a proteção social universal para garantir o bem-estar da população, implementar ou dar continuidade aos auxílios emergenciais e promover novos pactos sociais e fiscais em tempos de pandemia.

AFP

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