Grávidas, mães e recém-nascidos são colocados em corredor em hospital no Recife, denunciam acompanhantes

segunda-feira, março 15, 2021
Acompanhantes de pacientes denunciaram, nesta segunda-feira (15), a superlotação na maternidade do Hospital Agamenon Magalhães, em Casa Amarela, na Zona Norte do Recife. Segundo quem esteve no local, o domingo (14) foi "caótico", com macas e berços colocados nos corredores.


“A situação é uma bomba-relógio. Se alguma pessoa infectada [com Covid-19] entrar lá, vai ser uma catástrofe. As mulheres ficam deitadas no corredor, sejam as grávidas ou as que acabaram de sair do bloco cirúrgico. O nível de descuido é uma coisa que nunca vi na minha vida”, declarou o analista de sistemas Jean Rei, que acompanhou uma paciente no domingo (14).


O acompanhante também sentiu falta de protocolos sanitários contra a Covid-19 ou de segurança, para controle da entrada de pessoas na unidade de saúde.


“Não pediram minha identificação e não mediram minha temperatura. Os acompanhantes entram lá com sacolas de supermercado, não tem um controle da higiene”, afirmou.


“Conversei com uma enfermeira e ela disse que a Maternidade Barros Lima [da rede municipal do Recife] fechou e está todo mundo indo para lá. Entendo a situação da saúde no momento, o estado em que se encontra o Hospital Agamenon Magalhães é uma situação surreal”, afirmou.


Procurada pelo G1, a Secretaria de Saúde do Recife disse que a Maternidade Barros Lima atende partos de risco habitual, diferente do HAM, e que o que foi fechado, na verdade, foi a urgência pediátrica da Policlínica Barros Lima.

As mesmas queixas são da comerciante Lila Almeida, que, em vez de celebrar o nascimento do sobrinho-neto no domingo (14), se indignou com a superlotação na área de maternidade.



“Quando a gente chegou lá no sábado [13] e conseguiu subir, notou uma quantidade exorbitante de pessoas. No domingo [14] pela manhã, meu sobrinho-neto nasceu. Na euforia, não olhei para nada, mas quando saí, colocaram a mãe dele na maca no meio do corredor e informaram que não tinha leito para ela ir com a criança”, afirmou a acompanhante.


A comerciante relatou, ainda, que há poucos trabalhadores de saúde para dar conta da demanda de pacientes. “As enfermeiras são poucas para a quantidade de mães que estão lá”, disse.


A técnica em segurança do trabalho Lenny Maria da Silva precisou acompanhar a irmã, que deu à luz no hospital. Só após o nascimento do sobrinho ela teve autorização para ir até o andar em que a irmã estava, mas disse não ter conseguido ficar.


“Não tinham condições físicas. E lá no Agamenon tem uma área de Covid, então estamos vulneráveis”, afirmou.


"Está um caos. Eu fiquei totalmente desamparada, não tive direito a uma cadeira. Quando consegui uma, quebrada, não tinha espaço para colocar. Num espaço que não era para ficar obstruído, o corredor, havia 47 mulheres", disse.




Resposta do hospital



Por meio de nota, a direção do Hospital Agamenon Magalhães (HAM) “reconheceu a grande demanda registrada na maternidade, mas ressaltou que o serviço, uma das principais referências estaduais, e diante do atual cenário de pandemia no País, vem garantindo o atendimento à população”.


Ainda segundo a unidade, “a demanda é motivada, principalmente, pela retração no atendimento de outras unidades da rede em decorrência do novo coronavírus”.


O hospital informou que, “além da pouca oferta de serviços municipais especializados”, o Agamenon Magalhães realiza cerca de 350 partos por mês.


Sobre ações para melhorar a situação, o hospital disse que “vem adotando uma série de medidas na maternidade”.


Entre elas estão, de acordo com a Secretaria de Saúde, a restrição de acompanhantes, “mediante diálogo com os familiares das pacientes, nos casos em que não é necessária a presença”.


Também estão sendo feitos mutirões de avaliação para altas hospitalares das pacientes e transferências de usuárias para outros setores.


“A Central Estadual de Regulação de Leitos também tem atuado para encaminhar pacientes para outras unidades, enquanto há a absorção das que já estão em atendimento”, disse o comunicado.




Trabalhadores da saúde denunciam superlotação no Hospital Barão de Lucena, no Recife


No Hospital Barão de Lucena, na Zona Oeste do Recife, trabalhadores que preferiram não ser identificados informaram, no domingo (14), que pacientes com suspeita ou confirmação de Covid-19 ficam em um mesmo local.



Segundo o funcionário do hospital, as enfermarias estão lotadas de pacientes, independentemente do dia. Em alguns casos, berços são colocados entre os leitos para atender à demanda de pacientes, o que desrespeita o distanciamento social.




Entidades médicas pedem socorro



Em um pronunciamento divulgado no sábado (13), o Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe), a Academia Pernambucana de Medicina (APM) e a Associação Médica de Pernambuco (AMPE) afirmaram que "é hora de um esforço conjunto de todos, indistintamente", e que não podem admitir "a falta de leitos, insumos e equipamentos".


"Em nossa realidade, encontramos unidades municipais e estaduais em situações caóticas; o sentimento dos profissionais de saúde é de desalento e a sensação física, é a de exaustão. Os médicos se sentem impotentes em não conseguir socorrer, de forma adequada, os pacientes, vítimas da Covid-19", afirmaram as entidades, na nota.




Coronavírus em Pernambuco




Pernambuco totaliza 317.528 casos e 11.383 mortes por Covid-19


No domingo (14), com a confirmação de mais 1.104 casos e 26 óbitos por Covid-19 em Pernambuco, o estado passou a totalizar 317.528 casos confirmados e 11.383 mortes de pessoas infectadas pelo novo coronavírus (veja vídeo acima). Os registros começaram em 12 de março de 2020.

G1

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