EUA e aliados pressionam China a revelar mais dados sobre origem do coronavírus

terça-feira, março 30, 2021

A Organização Mundial de Saúde (OMS) disse nesta terça (30) que a China não deu acesso pleno aos dados para sua equipe que foi ao país investigar a origem da pandemia de coronavírus. Em resposta, os Estados Unidos, a União Europeia e mais países exortaram Pequim a mudar de postura.


"Nos unimos para expressar preocupações comuns. O estudo teve atraso significativo e falta de acesso a dados completos e originais, além de amostras", diz o comunicado, assinado por Austrália, Canadá, Coreia do Sul, Dinamarca, Eslovênia, Estados Unidos, Estônia, Israel, Japão, Letônia, Lituânia, Noruega, Reino Unido e República Checa.

"Há um segundo estágio neste processo, que acreditamos que deveria ser liderado por especialistas independentes e internacionais. Eles devem ter acesso livre aos dados e poderem fazer perguntas às pessoas que estão em campo. É um passo que a OMS deve tomar", disse Jen Psaki, secretaría de imprensa da Casa Branca.


A União Europeia também pediu mais análises. Walter Stevens, embaixador da UE para a ONU, defendeu mais estudos, com "acesso a lugares relevanentes e a todos os dados disponiveis sobre humanos, animais e ambientes" que tenham relação com o tema.

Em janeiro e fevereiro, a OMS enviou uma equipe de especialistas a Wuhan, na China, para investigar a origem do coronavírus que gerou a Covid-19.

Nesta terça, Tedros Adhanom, diretor da OMS, disse que os enviados não tiveram acesso pleno aos dados e defendeu que novas investigações sejam feitas.

No relatório final, os especialistas apontaram que o vírus provavelmente foi transmitido de morcegos para humanos por meio de outro animal, não identificado. A possibilidade de que o vírus tenha sido criado em laboratório foi considerada "extremamente improvável".

Um dos investigadores já havia dito que a China não deu acesso completo aos dados sobre os primeiros casos de Covid-19, o que dificulta precisar a origem da doença.

Como o relatório da OMS foi inconclusivo, a dúvida sobre como a pandemia surgiu segue presente, e gera pressão sobre a China para que revele mais informações.

Peter Ben Embarek, líder da equipe da OMS que foi até a China, disse que é perfeitamente possível que o coronavírus já estivesse circulando em outubro ou novembro de 2019, e que tenha se espalhado para o exterior antes do que se pensava.

Embarek disse que sua equipe sentiu pressões políticas, mas que não foi coagida a remover nenhuma informação do relatório final.

Folhapress

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