Pazuello admite que iminência de colapso não está concentrada em uma região

sexta-feira, fevereiro 26, 2021
Após o Brasil bater as 250 mil mortes por Covid-19, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, fez um pronunciamento, na tarde desta quinta-feira (25), reconhecendo a nova fase da pandemia, ainda mais grave do que a primeira onda. "O vírus mutado tem três vezes mais capacidade de contaminação e a velocidade pode surpreender o gestor em termos de estrutura e apoio. Essa é a realidade que temos hoje no Brasil", admitiu.


Ao lado dos presidentes dos conselhos nacionais de secretários de saúde estaduais (Conass) e municipais (Conasems), Carlos Lula e Wilames Freire, o ministro ressaltou a importância do sistema tripartite, que, nas ações de enfrentamento à pandemia, precisou definir diversas questões no âmbito judicial por falta de alinhamento.


Buscando fortalecer as relações, Pazuello anunciou a coordenação federal para o novo momento de aumento de casos e mortes por Covid-19. "Atendimento imediato, estruturação de leitos e vacinação: são com essas três grandes estratégias que vamos enfrentar a pandemia nessa nova etapa", afirmou.


O país observa necessidades cada vez mais urgentes de atendimento em outras localidades como Pará, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Goiás e capitais como Fortaleza e João Pessoa. "Várias cidades do país, vários locais estão subindo (...). Não está centrado apenas no Norte e Nordeste, como vimos ano passado. Precisamos estar alerta e preparados para isso", admitiu Pazuello.


Diante do aumento, o presidente do Conass, Carlos Lula, afirmou que há, pelo menos, 15 estados com capacidade de lotação dos leitos de UTI acima de 90%. "Precisamos ligar o alerta porque, sem dúvida, viveremos as semanas mais difíceis em março e abril", alertou. Por isso, para o líder do Conasems, Wilames Freire, a sociedade precisa compreender o momento "muito mais difícil do que quando iniciamos essa pandemia no Brasil" e continuar mantendo as medidas de proteção e distanciamento.


Novas cepas


O ministro garantiu que a pasta realiza todos os esforços possíveis e necessários para enfrentar a pandemia, mas justificou que a situação é diferente da imaginada no fim do ano passado. "Em novembro, estávamos observando a situação de estabilidade em número de casos de óbitos e, com a chegada da vacina, faríamos uma baixa efetiva". No entanto, os aumentos observados em países europeus e nos Estados Unidos teriam servido como alerta ao governo.


Mesmo assim, Pazuello atribui ao surgimento das novas variantes a atual dificuldade em controlar a pandemia. "Tivemos, em Manaus, uma nova linhagem, extremamente agressiva. Esta cepa já faz parte do cotidiano e está em outros estados brasileiros", disse, afirmando que a demanda por leitos da capital amazonense "já desceu bastante" e que a situação é "resultado de um grande trabalho".


Leitos


Mais cedo, durante a 2ª Reunião Ordinária da Comissão Intergestores Tripartite, o Ministério da Saúde pactuou com os conselhos novas regras para autorizar a abertura de novos leitos de UTI para o tratamento de pacientes com Covid-19.


Com isso, os leitos autorizados pela pasta não precisarão ser prorrogados e seguirão operando até o final da pandemia. Além disso, o custeio desses leitos será feito de forma integral pelo Ministério da Saúde através de repasses mensais.

Correio Braziliense

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