'O papel da esquerda é unir forças para derrotar o bolsonarismo', diz Boulos (Psol) em visita ao Recife

domingo, janeiro 31, 2021
Após sair das eleições municipais de 2020 com mais musculatura, Guilherme Boulos (PSol) deu início a uma jornada de visitas a vários estados brasileiros na busca pelo fortalecimento de uma frente ampla de esquerda. Em um cenário em que o presidente Jair Bolsonaro vem perdendo popularidade devido à atuação do governo federal frente à pandemia, o objetivo da iniciativa psolista é unir forças contra o bolsonarismo. Tendo iniciado a jornada por Belém (PA), ainda no ano passado, onde o partido conquistou o Poder Executivo municipal, com a eleição de Edmilson Rodrigues (PSol), Guilherme Boulos retomou a agenda pelo Nordeste, sendo Recife a primeira cidade escolhida, onde se reuniu, nesta quarta e quinta-feira, com parlamentares e lideranças partidárias. O próximo destino será a Bahia, para onde viaja na próxima semana.

Em entrevista ao Diario, na sede do PSol no Recife, Boulos comentou detalhes sobre a visita à capital pernambucana, onde se reuniu com alguns atores da cena política recifense. Cenário político brasileiro, impeachment de Bolsonaro, pandemia e reorganização de uma frente de esquerda brasileira também foram temas da entrevista.


VISITA AO RECIFE

Eu vim ao Recife para me reunir com comcompanheiros de partido do PSol, que teve um resultado muito importante na eleição de 2020 na capital. Elegeu Dani Portela, vereadora mais votada da cidade, reelegeu Ivan Moraes, o partido se fortaleceu. Portanto, viemos para conversar sobre os desafios deste ano de 2021. Também conversei com Luciana Santos (PCdoB), Humberto Costa (PT), Teresa Leitão (PT), outros campos da esquerda.


O PAPEL DA ESQUERDA

Nós temos no início de 2021um cenário de combinação explosiva de crise sanitária e crise social no Brasil e, mais do que isso, o desgaste do Governo Bolsonaro,
que foi derrotado nas eleições municipais. Em São Paulo, derrotamos o candidato de Bolsonaro (Celso Russomano – Republicanos), tiramos ele do segundo turno, praticamente nenhum candidato apoiado por ele ganhou nas capitais do Brasil (no Recife, Boslonaro apoiou a Delegada Patrícia, que perdeu ainda no primeiro turno). Bolsonaro que ainda sofreu indiretamente com a derrota de Trump nos EUA e que tem uma queda de popularidade brutal depois daquele morticínio em Manaus emque o governo sabia e não fez nada. Em um cenário como esse, o papel da esquerda é unir forças para derrotar o bolsonarismo porque isso significa salvar vidas.


PANDEMIA

Nós temos um governo trágico no Brasil, mais de 215 mil mortos por causa da pandemia, um governo que trabalha contra a vacina, destrói as condições de defesa sanitária, contraria as autoridades sanitárias, desinforma a população e, além de tudo, corta o auxílio emergencial que era o mínimo de segurança social que quase 70 milhões de brasileiros tinham no cenário de pandemia. Cenário esse que tem um efeito econômico social muito dramático porque aumenta o desemprego, impulsiona a falência de pequenos comércios, as próprias condições que as restrições de funcionamento impõem também têm ume efeito ruim sobre a economia. Então mais do que nunca
o auxílio emergencial é necessário, mas, ainda assim, o governo preferiu cortar.


O IMPEACHMENT

Derrubaram Dilma (Rousseff) utilizando o pretexto de pedalada fiscal. E o que nós temos hoje são crimes contra a democracia, restrições de liberdade, obstrução de justiça e, sobretudo, crime contra saúde pública, uma postura criminosa o governo tem no combate à pandemia. Em um cenário como esse a oposição temque estar unida na luta pelo impeachment e estoumuito dedicado a isso. Por isso eu apoio Luíza Erundina (PSol) para a presidência da Câmara dos Deputados. É a única de todas que diz de forma clara e categórica que abriria o impeachment de Jair Bolsonaro. Rodrigo Maia em vez de ficar resmungando no twitter e falando mal do Bolsonaro nos jornais deveria usar a caneta dele e abrir o processo de impeachment diante de todas as evidências que tem. Agora a pressão social é decisiva, a queda abrupta de popularidade de Bolsonaro nas últimas semanas vai construindo um clima mais favorável para o impeachment.


2022

Nós fizemos uma campanha muito expressiva em São Paulo, apesar de não ter ganho as eleições. Foi uma batalha de Davi contra Golias. Tivemos mais de 2 milhões de votos na maior cidade da América Latina. Saímos de um 17 segundos na televisão, de uma campanha com pouca estrutura enfrentando a máquina do Dória e do PSDB, a máquina do Bolsonarismo, enfrentando todas as condições adversas. Fomos para o segundo turno, derrotamos o Bolsonaro e tivemos uma quantidade expressiva de votos. Isso acumulou
o processo porque mais do que um debate de uma eleição nós disputamos consciência da sociedade. Nós mobilizamos esperança, sobretudo na juventude, recuperamos votos em bairros de periferia que tinham votado no Bolsonaro em 2018, então tem um acúmulo muito importante que não foi apenas em São Paulo. Essa campanha acabou tendo, sobretudo em termos de redes sociais, uma ressonância nacional, mobilizou um campo progressista e ativista no Brasil inteiro que se sentiu identificado com a mensagem que a gente passou, se sentiu identificado com os valores que semeamos durante a campanha. Agora isso evidentemente nos coloca em um debate político nacional, mas a minha prioridade não é um projeto pessoal, eu não encaro política como carreira, a minha prioridade e a do PSol, neste momento, é de construir as condições pra que a gente possa derrotar o bolsonarismo. Conseguir chegar em 2022 com a esquerda toda unida é uma questão que não depende só de mim, nem do PSol.

Diário de Pernambuco

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