81% das obras de Brennand roubadas no Recife Antigo

sexta-feira, janeiro 15, 2021

 Por Mauro Ferreira Lima*


Após vários dias de descaso, a Prefeitura do Recife informou à Câmara Municipal o tamanho do prejuízo causado à cidade com o absurdo roubo das esculturas de Francisco Brennand, expostas no parque em frente ao Marco Zero.

É revoltante constatar que 81% delas, 64 das 79 existentes, doadas ao Recife a partir dos anos 2000, tenham sido surrupiadas daquele parque. Nunca se teve notícias de ter havido providências efetivas para pôr fim ao furto "continuado" daquelas extraordinárias obras. Um descaso inominável!

Onde estavam as "autoridades" municipais e estaduais que permitiram que tudo aquilo acontecesse sem que se tomassem medidas pontuais, de fato, para identificar autores e pôr um fim ao descalabro desses contumazes e deploráveis roubos?

Não foi por falta de advertências, minha e de tantos cidadãos desta cidade, que protestaram, escreveram, falaram, bradaram... contra este infame descaso.

O pior de tudo é que ninguém nunca assumiu a responsabilidade por tais temeridades. Tudo continuou como se nada houvesse acontecido, até se chegar a este assombroso e quase inacreditável ataque.

Identificados órgãos responsáveis pela segurança do local, o "Instituto Oficina Cerâmica Francisco Brennand" deveria consultar sua assessoria jurídica para ingressar com uma ação contra tais relapsas figuras por "crime contra o patrimônio público". Apesar de remotas chances, deveria se exigir providências para localização do que estiver restado do conjunto furtado em 04 de dezembro passado, há 42 dias! Seria o mínimo a se esperar do ausente poder público municipal e estadual.

Inteligência policial existe também para destrinchar casos como esses. Se assim o quisessem, poderia haver chances de chegar aos autores destes execráveis crimes.

Isto não deveria ficar impune. Se nada se fizer, será a concessão de permissividade para que se levem até as antigas estátuas monumentais das pontes do Recife. Perplexos estamos e mais pobres em atrativos turístico-culturais. Triste realidade!

*Analista Econômico

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