Governo Federal vai liberar R$ 9 milhões para requalificação do Museu da Abolição

terça-feira, junho 04, 2019
Construído em meados do século 17, o casarão onde funciona o Museu da Abolição, no bairro da Madalena, Zona Oeste do Recife, apresenta vários problemas estruturais que estão colocando em risco a conservação do seu acervo e as peças em exposição. Quem passa na frente do sobrado Grande da Madalena, como era conhecido o prédio, não imagina que ele está com falhas na rede elétrica, portas danificadas e infiltração.

Além disto, a construção não oferece acessibilidade aos deficientes para que entrem nos espaços internos e externos, de acordo com o previsto na legislação em vigor. Tampouco possui sistema de segurança, hidráulica, telefonia e iluminação adequados à sua nova realidade. No fim de semana, o Governo Federal divulgou que vai liberar cerca de R$ 9 milhões para sua recuperação.

São R$ 184 milhões para 22 projetos ligados às áreas de patrimônio cultural, museus e bibliotecas. Os recursos são provenientes de condenações judiciais, multas e indenizações repassadas ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos (FDD) para a reparação de danos causados ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico. Serão beneficiados projetos em seis Estados. Os projetos foram selecionados por meio de edital lançado em abril deste ano pelo Ministério da Justiça, responsável pelo FDD.

Entre os contemplados está o Museu da Abolição, que receberá R$ 9,1 milhões. Estão previstos o repasse de R$ 1,2 milhão ainda no ano de 2019, mais R$ 3,2 milhões para 2020 e outros R$ 4,5 milhões para 2021. Entre as intervenções previstas para serem feitas com este investimento estão a restauração de bens móveis, recuperação de estruturas (edifício principal e de apoio); adequação dos espaços internos e externos; adequação das redes elétrica, hidráulica, telefônica e lógica; instalação de sistema de climatização e de segurança; recuperação da cobertura (telhados, calhas, barroteamentos do forro e piso do primeiro andar). O projeto ainda prevê instalação de sistemas de detecção e combate a incêndios e furtos.

De acordo com a diretora do museu, na área externa será construído um espaço para implantação de um café ou lanchonete, além de uma loja e um laboratório experimental de música. "Com certeza depois desta reforma a gente vai conseguir atrair mais visitantes e um público diversificado. O café também vai aproximar o público local, será mais um lugar de convivência", avalia Daiane Carvalho. Anualmente, o espaço recebe de 10 a 12 mil visitantes e a expectativa é dobrar este número após a conclusão da obra.

O Museu

Considerado um dos mais importantes da região quando construído, o casarão foi transformado em museu no ano de 1957, quando passou por uma obra de restauro. Desde então, sua infraestrutura não passou por nenhuma outra intervenção (reforma, adaptação e adequação) para a ocupação de seus espaços para fins museológicos, o que se faz necessário para o seu perfeito funcionamento e atendimento das demandas do público visitante. O edifício anexo também se encontra em precário estado de conservação, com rachaduras e infiltrações que comprometem a estrutura da coberta e paredes em alvenaria.

De acordo com a diretora do museu, Daiane Carvalho, o acervo está constantemente exposto a riscos como iluminação e temperatura inadequadas. "A gente acaba prejudicando a nossa razão de ser que é preservar. Uma forma de dinamizar o espaço é com exposições temporárias, de outros lugares, que às vezes não temos condição de aceitar por falta de estrutura. A gente não pode pegar um acervo emprestado de outras instituições correndo o risco de ele ter alguma degradação. Hoje precisamos lidar com uma série de negativas de instituições que ao pedir nossa documentação sobre segurança do acervo verificam que existem alguns problemas", comenta.

Atualmente, o espaço conta com 300 peças, entre as que estão expostas e na reserva, além de acervo bibliográfico com mais de 600 periódicos, entre revistas, catálogos e folhetos O museu foi criado para preservar, pesquisar, divulgar, valorizar e difundir a memória, os valores históricos, artísticos e culturais, além do patrimônio material e imaterial dos afro-descendentes. Para a assistente social Natalicia Oliveira, de 56 anos, o museu precisa urgentemente de uma intervenção. "É uma vergonha um espaço como este, tão importante, estar degradado desta forma. Mostra certo desprezo pela nossa cultura", avalia.

Aberto de segunda a sexta, das 9h às 17h, e aos sábados, das 13h às 17h, o museu não cobra entrada. Para visitar não precisa agendar, mas escolas e grupos interessados podem marcar previamente pelo telefone 3228.3248.



FOLHAPE

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