Professores denunciam falta de estrutura de escola na Iputinga e aulas são canceladas

terça-feira, fevereiro 05, 2019
Apesar de o ano letivo da rede municipal do Recife iniciar nesta terça-feira (5), as aulas não começaram para os alunos da escola Municipal Ebenézer Gueiros, no bairro da Iputinga, Zona Oeste da cidade. As aulas foram canceladas devido a rachaduras e falta de estrutura para receber os alunos conforme denúncia feita em uma manifestação pacífica, organizada pelo Sindicato Municipal dos Profissionais de Ensino da Rede Oficial do Recife (Simpere) na manhã desta terça em frente à escola.

De acordo com a Prefeitura do Recife, as obras para a recuperação da estrutura foram iniciadas em janeiro deste ano, e devem ser finalizadas até março. Ainda segundo a PCR, as aulas serão suspensas por sete dias, e repostas ao decorrer do ano letivo.

O protesto foi concentrado por volta das 7h desta manhã. No entanto, os pais só ficaram sabendo que não haveria aula quando chegaram à escola. Os familiares das crianças mostraram revolta ao receberem a notícia. Rosilene Lins, 30, mãe de Brian Lins, 4, aluno da alfabetização, disse que não estava sabendo dos problemas estruturais da escola. “Os pais não estavam sabendo de nada. As aulas começam hoje, e as crianças vão para onde? As crianças é quem saem prejudicadas.", relatou a telefonista.

De acordo com Carlos Elias, representante do sindicato dos professores, quatro salas de aula foram interditadas em decorrência de rachaduras e da utilização, improvisada, de barras de ferro e de pedaços de madeira para segurar parte do teto da escola, que corre risco de desabar a qualquer momento. O sindicalista conta que, após retorno das férias, professores da escola procuraram o sindicato para cobrar soluções sobre o problema.

“Na passagem para o banheiro, as crianças precisam passar pelo local interditado. É um problema recorrente, começa o ano letivo e as escolas com problemas. Agora temos quatro salas de aula interditadas, colocando as crianças em risco. A Prefeitura precisa criar outras soluções para as crianças estudarem”, comenta o representante do Simpere, reiterando que não há condições de iniciar o ano letivo com as salas interditadas.

Maria Vitória, 10 anos, estudante do 4º ano, chorou ao relatar o sufoco que passa todos os dias na unidade de ensino. “Além de tudo isso, dentro da sala os ventiladores estão quebrados e o ar-condicionado não pega. A gente quer justiça”, finalizou a jovem.

Revoltados, vários pais relataram que o problema acontece na escola desde o ano passado. Em meados de novembro de 2018, os estudantes tiveram que assistir aula enquanto a escola passava por um trabalho de pintura. Dona Verônica, 46, mãe de uma aluna do 4º ano, reclamou que, apesar do forte cheiro de tinta, as crianças continuaram tendo aula durante o período. Contudo, com o avanço das pinturas, os estudantes ficaram, em média, três dias sem aula.

Com a chegada de representantes da Região Política Administrativa (RPA 4) os alunos da escola Ebenézer entoaram gritos de “queremos aula”, como forma de cobrar providências aos responsáveis pela manutenção da unidade. A diretora da escola preferiu não se pronunciar sobre o caso. Até a finalização da reportagem, o grupo de gestão da escola aguardava a chegada dos engenheiros encarregados de verificar os problemas explicitados. Criada em 2012, a escola atende cerca de 400 alunos da alfabetização até o quinto ano, nos três turnos.

Em nota, a Secretaria de Educação do Recife disse que "já havia identificado um problema estrutural em quatro salas de aula e que, desde 2018, contratou uma consultoria especializada para o desenvolvimento de um projeto de recuperação estrutural. Após a finalização do estudo, as obras foram iniciadas ainda em janeiro e devem ser finalizadas até março".

FolhaPE

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