Seres reforça trabalho de produção agropecuária com reeducandos da Penitenciária de Itamaracá

sexta-feira, janeiro 25, 2019
A Secretaria Executiva de Ressocialização (SERES), vinculada à Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH), está reestruturando as atividades de agricultura e pecuária realizadas por reeducandos do regime semiaberto da Penitenciária Agroindustrial São João (PAISJ), em Itamaracá.

Todo o serviço é desenvolvido no histórico Engenho São João, um dos primeiros engenhos movidos a vapor do Brasil construído no século XVII, onde nasceu o abolicionista João Alfredo. Na área de 1.253 hectares, os 47 reeducandos realizam trabalho de marcenaria, agricultura e pecuária.

A parte de marcenaria fica num galpão às margens da BR 101 onde são fabricados e reformados móveis de escritório para a Seres, como birôs e cadeiras; artesanatos locais; e jogos educativos, como o xadrez. Egnaldo Felipe dos Santos, 46, que está no regime semiaberto harmonizado, sai às 4h da manhã do bairro do Jordão para o trabalho. “Eu faço peças de artesanato, monto e envernizo móveis, esta é uma grande oportunidade que estou tendo de aprender e começar uma nova vida”, explica. O reeducando trabalha junto a mais três, no horário das 7h às 11h , das 14h às 17h com duas horas de almoço.

Para o secretário-executivo de Ressocialização, Cícero Rodrigues, o engenho representa a oportunidade de trabalho aliada à valorização cultural. "Os detentos que trabalham no engenho têm acesso à atividade produtiva, melhor saída para a ressocialização, ao salário para ajudar a família, ao convívio social e, ainda, prestam uma importante contribuição ao patrimônio histórico do Estado", enumerou.

A atividade de agricultura é desempenhada com entusiasmo pelos apenados que plantam maracujá, macaxeira, graviola, banana, ervas medicinais, como a hortelã da folha miúda, o capim santo, entre outras. De acordo com o gerente de Projetos, Convênios e Produção da Seres, Walfrido Uchoa Cavalcanti, a produção é destinada às unidades prisionais do estado e, pelas atividades, os reeducandos recebem 75% do salário mínimo, sendo 25% destinado ao pecúlio a ser liberado após a liberdade.

Saindo das plantações visitamos a criação de suínos, onde ficam 57 porcos das raças Pietran e Landrace que recebem alimentação, manejo de medicamentos e limpeza por parte dos reeducandos. Tudo supervisionado pelo veterinário do IPA, Isaque Albuquerque. “Eles são a força do trabalho na fazenda. Muitos são do interior e têm facilidade de aprender”, revela.

Além do cuidado com os porcos, os reeducandos pastoreiam e alimentam ovelhas e o gado, auxiliando também na castração dos animais. Marinaldo de Melo, 45, é do município de Lajedo e está acostumado a trabalhar na roça e no campo. “Este ano eu vou para o regime aberto, mas quero continuar trabalhando aqui”, ressaltou Marinaldo.

A Seres também administra a criação de tilápias e camarão no engenho, com a ajuda dos reeducandos. Um total de 40 mil larvas de camarão e mil de alevinos foram colocadas nos viveiros e já começam a crescer. Eles também auxiliam na produção de mel no apiário.

CURSOS: Para a realização das atividades agropecuárias, os reeducandos participaram de cursos, ministrados pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), com assistência técnica do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA). Os cursos ministrados foram: Manutenção de Tratores e Implementos Agrícolas, Sistema de Irrigação Básico, Trabalhadores na Suinocultura, Manejo de Apiários, Produtos Derivados do Leite e Fruticultura básica.

Comente

Veja Também

Anterior
« Prev Post
Próximo
Next Post »