Alunos de escola pública lutam para disputar torneio internacional de matemática nos EUA

segunda-feira, janeiro 28, 2019
Estudantes de uma escola pública de Igarassu, no Grande Recife, foram aprovados para participar de um torneio internacional de matemática na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, uma das mais importantes instituições de ensino do mundo. (Veja vídeo acima)


Em 2018, um grupo da Escola de Referência em Ensino Médio Eurico Pfisterer, no distrito de Cruz de Rebouças, se inscreveu no torneio e foi aprovado. A competição está marcada para fevereiro deste ano.


Para arrecadar dinheiro para a viagem, eles promovem uma festa, neste sábado (26), no Sítio Histórico do município. Os jovens também montaram uma vaquinha online.


O show organizado pelos adolescentes ocorre às 21h e os ingressos custam R$ 20 e R$ (mesa para quatro). As vendas ocorrem no local. Estão previstas atrações musicais como a banda Sedutora, Diego Cabral, Ayrla Gonçalves e Netinho Gonçalves.


Estudantes de escola pública em Igarassu passaram em competição de matemática nos EUA — Foto: Reprodução/TV Globo


Segundo a estudante Marcela Carvalho, de 16 anos, que faz parte do grupo, os jovens estão tentando angariar fundos para a viagem. Eles devem embarcar no dia 13 e voltar no dia 19.


"Estamos correndo atrás de várias coisas para conseguir ir para o exterior. Queremos representar nossa cidade, Pernambuco e o Brasil", afirma Marcela.


Para que os oito estudantes que conquistaram as vagas e mais um representante da escola viagem, é preciso arrecadar R$ 46 mil. Segundo Deyse Barbosa, os estudantes fizeram de tudo para tentar conseguir o dinheiro.



"Começamos com a venda de lanches e conseguimos doações de alguns prêmios para serem rifados. Também temos nossa vaquinha online", diz.


Escola Eurico Pfisterer fica em Cruz de Rebouças, em Igarassu, no Grande Recife — Foto: Reprodução/TV Globo


Uma parte do dinheiro já está assegurada. O governo disponibilizou as passagens e, com as vendas, eles tiraram os passaportes.


Apesar disso, os adolescentes ainda precisam do dinheiro da hospedagem. Outra preocupação é com o custo do visto cobrado pelo governo americano. É necessário desembolsar R$ 600 por pessoa.


Natasha Oliveira, de 17 anos, agradeceu a todos que participaram da mobilização para ajudar os estudantes a viajar.


“Espero que que a nossa história sirva de exemplo e inspiração para outros jovens que também querem alcançar seus sonhos que tem o sangue sair do país ou de participar também de alguma competição fora do país ou mesmo dentro do Brasil”, afirmou.




União




Na escola, estudam 570 meninos e meninas, do primeiro ao terceiro ano do ensino médio. Segundo a estudante Lívia Sabino, o grupo estuda junto desde o primeiro ano e agora, no terceiro, quer fechar o ensino médio com uma experiência internacional.


"Desde o primeiro ano, estudávamos juntos e, assim que soubemos que fomos selecionados para fazer a prova, juntamos o grupo e começamos uma rotina intensiva de estudos. Até que conseguimos passar na prova", diz.



A professora de matemática Luciana Ferreira, que acompanha os jovens, afirma que o trabalho diário tem como objetivo valorizar esses estudantes e mostrar que eles são capazes e podem atingir os objetivos.


“Temos projetos aqui na escola que estimulam os alunos, como aulas de reforço de matemática”, observou.


O gestor da escola, Edson Júnior, vai acompanhar os jovens na disputa em território americano. Ele destaca que serão dois tipos de competição.


“Vamos juntar um time para as provas e também há disputas individuais. Vamos pontuar em um ranking, na competição com equipes de todo o mundo”, afirmou.


Natasha Oliveira é estudante de escola pública em Igarassu, no Grande Recife — Foto: Reprodução/TV Globo


Para Iremar Barbosa, pai de Deyse Victória, é um orgulho muito grande ter uma filha participando de uma competição em Harvard, nos Estados Unidos. “É a segunda vez que ela me dá esse prazer. Já fez intercâmbio e morou no Canadá”, comentou.


Segundo ele, a família tem um papel importante nessa história. “Incentivamos ela em casa a fazer pastel até duas ou três horas da manhã para no outro o dia sair junto com o grupo vendendo na escola, para arrecadar dinheiro”, comentou.

G1

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