População tem ação gratuita contra parasitose no Recife até esta sexta

quinta-feira, agosto 02, 2018
O Movimento Brasil Sem Parasitose (MBSP) da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG) está com um grande mutirão de atendimentos gratuitos no Recife. A iniciativa, iniciada nessa quarta-feira (1), segue até esta sexta-feira (3) em uma estrutura montada no Pátio da Basílica do Carmo, que fica no bairro de Santo Antônio, no Centro da capital pernambucana.

Médicos gastroenterologistas e pediatras realizam as consultas e aconselhamentos em uma carreta de 52 m², adaptada com três consultórios. Em média, 200 fichas são entregues por dia. A força-tarefa de saúde também pretende alertar sobre prevenção e tratamento das parasitoses, que acabam muitas vezes negligenciadas pela população, mas que representam um desafio de saúde pública. Entre as mais prevalentes estão a amebíase, giardíase e ascaridíase.

“Para se ter uma noção, 36% dos adultos são infectados por um tipo de parasito e 55% da população pediátrica tem algum parasito”, apresentou a membro de FBG e preceptora de Gastroenterologia e Endoscopia do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC), Ana Botler.

A médica comentou que, as queixas de parasitose são tão variadas - de flatulência, enjoo e queimação até dor de cabeça- que, muitas vezes, um paciente acaba fazendo uma série de exames de alto custo quando poderia ter uma intervenção mais rápida com uma dose anual de remédios antiparasitários. “Uma pessoa que começou com uma queimação há 15 dias vai fazer logo uma endoscopia? Trate antes parasitose e vamos ver daqui a 15 dias. Até porque há uma maior probabilidade, já que no nosso meio a prevalência desses parasitos é muito grande”, disse.

Segundo a especialista, a resistência para o tratamento é ainda maior nas pessoas que têm uma condição socioeconômica maior e que se acham livres de riscos. “Meu argumento é que nós escovamos os dentes com água que vem da torneira, tomamos banho com água da torneira. Comemos muito na rua. Então, existe probabilidade. Parasitose não é prerrogativa da população carente não”, destacou. Lembrando que as taxas de sanamento das cidades são também determinantes na proteção da população. O índice do Recife, por exemplo, não chega a 50%.

Para o atendimento do mutirão do Recife, o indivíduo responderá na primeira etapa da assistência a um questionário sobre os padrões de saneamento básico, higiene pessoal e familiar, hábitos de vida e o histórico clínico. Em seguida, o paciente passará por uma triagem realizada por enfermeiros e, depois do atendimento com os médicos, será direcionado para uma sala temática educativa, onde receberá orientações práticas sobre hábitos de higiene pessoal e doméstica, dadas por uma equipe de agentes de saúde.

No ano passado, o Movimento Brasil Sem Parasitose também passou pela cidade de Caruaru, no Agreste de Pernambuco, para a mobilização no Estado. Nos últimos dois anos (2016 e 2017), a iniciativa atendeu cerca de 20 mil pacientes em 21 cidades-alvo da ação. As principais queixas das pessoas foram dores abdominais e cólicas (48%), azia (43%) e barriga constantemente inchada (38%).



FOLHAPE

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