Arqueólogos encontram ossada humana em engenho do século 16, no Grande Recife

quarta-feira, agosto 29, 2018
Arqueólogos encontraram uma ossada humana enterrada no terreno do Engenho Jaguaribe, em Abreu e Lima, no Grande Recife. Um dos mais antigos engenhos do estado é estudado pelos pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Uma das hipóteses é que o achado pode indicar que, no local, viveram europeus, indígenas e escravos africanos. (Veja vídeo acima)

O Engenho Jaguaribe começou a ser construído em 1540. Debaixo da terra, professores e alunos do Departamento de Arqueologia da UFPE encontraram louças, vestígios de uma capela, da casa-grande do engenho e continuam a escavar o terreno em busca do que teria sido a senzala.

Os ossos humanos encontrados no local formam um esqueleto aparentemente completo. De acordo com a professora Cláudia Oliveira, arqueóloga responsável pela pesquisa, a descoberta pode ajudar os historiadores a entenderem melhor os primeiros anos da colonização portuguesa no estado.

“Essa área é a de um dos primeiros engenhos implantados na Capitania de Pernambuco e sua história é superimportante, pois assim podemos reconstituir como era o funcionamento desses primeiros engenhos. Temos muitas informações dos séculos 17 e 18, mas temos poucas do século 16”, explica a arqueóloga.

O grupo de arqueólogos estuda o Engenho Jaguaribe desde 2001, mas as escavações começaram em 2015. Desde então, descobertas importantes foram feitas sobre a área, que fez parte do início do povoamento de Pernambuco.

Para saber exatamente o que os ossos podem trazer de informações históricas, é preciso levar o material para o laboratório. Apesar disso, o trabalho precisa ser lento e cuidadoso, para preservar elementos da história que foram escondidos pelo tempo.

“É uma descoberta grande porque poderemos contar um pouco da história do dia a dia não só através dos objetos, mas a parte física. O homem, vamos dizer. Precisamos de medidas de preservação dessa área e de tempo para recuperar todas essas informações. O trabalho é muito lento e minucioso", a a professora.

Um dos estudantes envolvidos na escavação, Paulo César Neri conta a importância do achado para reconstituir a história do século 16. “A gente faz a retirada do material para analisar no laboratório e possivelmente identificar o sexo, possíveis patologias, além do estudo de DNA, para indicar as ancestralidades e as demais informações como traumas, que podem ser a causa da morte”, diz.

O terreno em que os arqueólogos trabalham tem mil metros quadrados, mas há poucos técnicos para a extensão territorial. Atualmente, as escavações são financiadas pelo Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura, por meio de um projeto aprovado pelo grupo de arqueólogos. Apesar da descoberta, os arqueólogos temem que a pesquisa seja paralisada por falta desse financiamento.Por causa disso, os pesquisadores procuram trazer ao local vizinhos e estudantes da região, para que eles entendam a importância da pesquisa e de preservar o espaço, quando os pesquisadores não estiverem mais no local.

"O trabalho é muito lento e minucioso, não se pode chegar escavando tudo. Esse achado mostra, mais uma vez, a importância dessa área para a continuidade da pesquisa", diz Cláudia.



G1PE

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