Paralisação de caminhoneiros suspende expediente e atividades parlamentares na Alepe

segunda-feira, maio 28, 2018
A paralisação nacional dos caminhoneiros provocou a suspensão das atividades na Assembleia Legislativa de Pernambuco, nesta segunda-feira (28). A determinação de cancelar o expediente administrativo e as sessões ordinária e solene, marcadas para às 14h30 e 18h, foi assinada pela Mesa-Diretora da Alepe. De acordo com o Legislativo, os serviços voltarão ao normal na terça (29).

No site da Alepe, consta um texto com a determinação, publicado no fim da tarde de domingo (27). Mesmo com a divulgação antecipada da suspensão das atividades, a página do Legislativo informou, durante toda esta segunda (28), que haveria três reuniões ao longo do dia.

Estavam previstas uma audiência pública sobre a crise naval em Pernambuco, a reunião ordinária e uma homenagem aos 80 anos de fundação da engarrafadora de aguardente Pitú, localizada em Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata do estado.

A mesa-Diretora do Legislativo justificou que a suspensão dos serviços e das atividades parlamentares foi motivada pelo “desabastecimento de combustível causado pela greve dos caminhoneiros, iniciada no último dia 21 de maio”.

E informou que, "em razão dos reflexos da paralisação da categoria, houve prejuízo para a circulação de veículos particulares e parte do transporte público em todo o Estado"

Por causa da suspensão das atividades parlamentares, deixaram de ser apreciados nesta segunda alguns projetos de lei. Um deles trata da criação extinção de cargos para o Presídio de Itaquitinga, na Zona da Mata Norte.

O outro tem como objetivo determinar a obrigatoriedade de instalação de dispositivos que retardem ou impeçam a introdução e acionamento de explosivo nos caixas eletrônicos do estado.

No horário marcado para a sessão ordinária da Alepe, o Edifício Miguel Arraes, onde fica o Plenário Eduardo Campos, estava fechado. Um cavalete laranja fechava as grades que isolam o imóvel.

No local, estavam apenas os policiais que integram a assessoria militar do Legislativo. Na rua, o clima era de feriado e nem as carrocinhas e comida estavam paradas na área.

Estaleiros

No dia em que os caminhoneiros entraram na segunda semana de paralisação nacional, a Alepe promoveu uma audiência pública para debater a crise na indústria naval do estado. Convocado pela Comissão de Desenvolvimento Econômico, o encontro ocorreu na manhã desta segunda-feira (28), na sede da Federação das Indústrias (Fiepe), no Centro do Recife.

Entre os assuntos em destaque, foram apresentados números para mostrar como a indústria naval em Pernambuco foi atingida pelas dificuldades econômicas. A maior preocupação é com falta de perspectivas de manutenção de postos de trabalho nos dois estaleiros pernambucanos.

Segundo o deputado Aluísio Lessa (PSB), que convocou a audiência, os estaleiros Atlântico Sul e Vard Promar chegaram a ter 12 mil pessoas. Hoje, hoje são 4.300 empregos diretos. No caso dos postos de trabalho indiretos, eram 40 mil. Atualmente, o contingente é de cerca de 15 mil.

Além disso, a audiência tratou das dificuldades projetadas para os próximos meses. O Estaleiro Atlântico Sul (EAS) tem uma encomenda de navio que termina em 2019. O Vard Promar finaliza duas embarcações e não conta com mais pedidos.

Ao todo, 800 vagas já foram fechadas este ano na indústria naval pernambucana, segundo dados da Comissão de Desenvolvimento Econômico da Alepe. “Nós precisamos ter a garantia de que pelo menos 40% dos contatos para a construção de novos navios sejam feitos com as empresas brasileiras”, afirmou Lessa.

Por causa da falta de combustível nos postos e do desabastecimento, o encontro foi prejudicado. Muitos trabalhadores do Complexo Portuário de Suape, na Região Metropolitana, dependiam de ônibus e não puderam comparecer.

Mesmo com o auditório praticamente vazio, a audiência contou coma participação do secretário de Planejamento de Pernambuco, Márcio Stefani, do senador Humberto Costa (PT) e do deputado federal Tadeu Alencar (PSB), únicos representantes do Congresso Nacional.

Durante a audiência, Stefani afirmou que para falar sobre a indústria naval brasileira é necessário fazer uma análise a partir da ótica financeira e não sob a perspectiva da lógica econômica. “Precisamos de uma proteção para a nossa indústria. Temos que defender os nossos empregos”, declarou.

O presidente do estaleiro Atlântico Sul, Harro Burmann, abriu a palestra com uma queixa. “Onde estão os representantes do governo federal? Essa é a quarta vez que exponho esseas informações e até agora nada foi feito”, declarou.

Ele fez um relato sobre a importância do estaleiro para os municípios ao Sul do Grande Recife e ressaltou que é preciso tomar providências para garantir o trabalho de funcionários diretos e de uma cadeia formada por 700 fornecedores

Segundo o gestor, é preciso que o governo federal adote três medidas: garantia de produção local, financiamento e desoneração tributária. Para a o estaleiro, o problema não é falta de demanda é sim de envio desses pedidos para o exterior.




G1PE

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