Padrasto de Maria Alice Seabra é condenado a 35 anos de prisão por sequestrar, estuprar e matar enteada

terça-feira, maio 22, 2018
Após dez horas de julgamento nesta terça (22), o mestre de obras Gildo da Silva Xavier foi considerado culpado pelo assassinato da enteada Maria Alice Seabra Amorim, ocorrido em Itapissuma, no Grande Recife, em junho de 2015, quando a jovem tinha 19 anos. O padrasto da vítima foi condenado a 35 anos de prisão pelos crimes de homicídio qualificado, sequestro, estupro e ocultação de cadáver.

Gildo foi a júri popular na Câmara Municipal de Itapissuma, em sessão presidida pela juíza Fernanda Vieira Medeiros. O júri começou às 8h40 e terminou por volta das 19h. A condenação foi composta pelas seguintes penas: 17 anos e seis meses pelo crime de homicídio qualificado (por motivação torpe, asfixia, e meio cruel), três anos e seis meses em razão do sequestro, 12 anos por causa do estupro e dois anos pela ocultação de cadáver.

Maria Alice desapareceu no dia 22 de junho de 2015, quando Gildo saiu de casa afirmando que levaria a jovem para uma entrevista de emprego. O corpo de Maria Alice foi encontrado num canavial em Itapissuma, dois dias depois do desaparecimento. Gildo foi denunciado pelo Ministério Público de Pernambuco por ter estuprado e matado a enteada.

A mãe e a irmã de Alice, Maria José de Arruda e Maria Angélica Seabra, chegaram por volta das 7h30. As duas falavam com a imprensa sobre a expectativa do julgamento no momento da chegada do réu, vindo Presídio de Igarassu, também no Grande Recife. Neste momento, a mãe começou a gritar a palavra "monstro" em direção a Gildo.

Os dois foram casados por 15 anos. Maria Alice tinha apenas três anos quando a relação deles começou.

Para o julgamento foram chamadas dez testemunhas pelo Ministério Público de Pernambuco, mas sete foram dispensadas. Após a oitiva das testemunhas, o réu foi interrogado.

Julgamento

O julgamento estava marcado para começar às 8h, mas atrasou e começou pouco antes das 9h. A sessão do julgamento foi presidida pela juíza Fernanda Vieira Medeiros.

Gildo Xavier é julgado por homicídio quadruplamente qualificado (por motivação torpe, uso de asfixia e meio cruel), sequestro e cárcere privado, estupro e destruição, subtração e ocultação de cadáver. A delegada Gleide Ângelo, que presidiu o inquérito do crime, testemunhou contra o réu.

O defensor público Jânio Piancó, que atua na defesa do réu, explicou que buscaria diminuir a pena ao retirar uma das qualificações do homicídio e as denúncias de sequestro, estupro e ocultação de cadáver. Piancó também negou os outros crimes atribuídos ao réu.

Na chegada à Câmara, o promotor do MPPE, Alexandre Saraiva, cumprimentou a mãe de Maria Alice, afirmando que "hoje é o último capítulo da história". O promotor explicou que não pode pedir a condenação por feminicídio já que, na sentença de pronúncia, o juiz não classificou o crime como feminicídio, que é o crime de ódio motivado pela condição de gênero, ou seja, pela vítima ser mulher.

O crime

Segundo a denúncia do MPPE, o crime aconteceu no dia 19 de junho de 2015. Dizendo que iria levar a jovem para uma suposta entrevista de emprego, o acusado conseguiu com que ela entrasse em um veículo, que havia locado em Gravatá, no Agreste do estado, e partiu em direção a Paulista, no Grande Recife, pela BR-101 Norte.

Quando eles passavam nas proximidades do Sítio do Pica Pau, o réu iniciou uma discussão com a vítima por causa de uma tatuagem que ela fizera no braço. A investigação aponta que ele estacionou o veículo e a agrediu, batendo a cabeça dela contra o automóvel, deixando-a desorientada.

Depois disso, segundo a denúncia, ele colocou a vítima no banco de trás do veículo, para violentá-la. Nesse momento, voltou a espancá-la e asfixiá-la com o cinto de segurança do carro.

A investigação assinalava que Gildo seguiu com o carro até Itapissuma, onde a estuprou. Em seguida, amputou parte do seu braço esquerdo com instrumento cortante, no local onde existia a tatuagem, deixou o cadáver em um canavial e fugiu para o estado do Ceará.



G1PE

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