Padrasto acusado de estuprar e matar Maria Alice Seabra é julgado no Grande Recife

terça-feira, maio 22, 2018
Acontece, nesta terça-feira (22), em Itapissuma, no Grande Recife, ojúri popular do padrasto acusado de assassinar a jovem Maria Alice Seabra Amorim. O crime ocorreu em junho de 2015, quando a vítima tinha 19 anos. Ela foi morta e estuprada por Gildo da Silva Xavier, segundo denúncia do Ministério Público de Pernambuco (MPPE).

O juri popular começou às 8h30, presidido pela juíza Fernanda Vieira Medeiros. A mãe e a irmã de Alice, Maria José de Arruda e Maria Angélica Seabra, chegaram por volta das 7h30 à Câmara de Itapissuma, onde ocorre o julgamento.

Ambas estavam com aspecto tranquilo e falavam com a imprensa sobre a expectativa do julgamento até a chegada do réu, vindo Presídio de Igarassu, também no Grande Recife. Neste momento, a mãe começou a gritar a palavra "monstro" em direção a Gildo.

Os dois foram casados por 15 anos. Maria Alice tinha apenas três anos quando a relação deles começou.

"É muito complicado viver sem a sua filha, mas Deus tem me dado muita força", disse Maria José

A mãe da jovem vai ser testemunha de acusação no júri. "Eu só acho que ele é um monstro, eu sempre digo isso na cara dele. Nunca desconfiei de nada, nem vizinhos nem família. Nunca desconfiamos da monstruosidade que ele tinha por dentro", afirmou.

Maria Alice morava com Angélica na época do crime. "Ela foi morar comigo porque estava tendo muita brigas em casa, ela queria a liberdade dela. Hoje, só queremos que a Justiça seja feita, que ele comece a ter um rotina de presidiário", declarou.

Julgamento

O julgamento estava marcado para começar às 8h, mas atrasou e começou pouco antes das 9h. A sessão do julgamento é presidida pela juíza Fernanda Vieira Medeiros.

Gildo Xavier é julgado por homicídio quadruplamente qualificado (por motivação torpe, uso de asfixia e meio cruel), sequestro e cárcere privado, estupro e destruição, subtração e ocultação de cadáver. Caso seja condenado, ele pode pegar de 25 a 56 anos de prisão.

O defensor público Jânio Piancó, que atua na defesa do réu, explicou que busca diminuir a pena ao retirar uma das qualificações do homicídio e as denúncias de sequestro, estupro e ocultação de cadáver. "O homicídio ele confessou, que realmente praticou. Vamos tentar tirar uma qualificadora, que é a do suposto rupinol [para dopar Maria Alice] porque não foi encontrada nenhuma substância", alegou o defensor.

Piancó também nega os outros crimes atribuídos ao réu. "Não está comprovado que houve sequestro, até porque ela saiu espontaneamente. O estupro não está provado, porque a perícia constatou que não houve penetração. Não foi encontrado nem sêmen nem esperma nas vestes dele. E a ocultação de cadáver também não está provada, a ocultação é você esconder o corpo e ele apareceu", disse.

Na chegada à Câmara, o promotor do MPPE, Alexandre Saraiva, cumprimentou a mãe de Maria Alice, afirmando que "hoje é o último capítulo da história".

"A família sempre diz que entrou num tsunami, que são sobreviventes de um tsunami, por isso espero que hoje se faça Justica. Espero ser o porta-voz dessa dor familiar e que os jurados possam entender isso e ele saia condenado", disse.

O promotor explicou que não pode pedir a condenação por feminicídio já que, na sentença de pronúncia, o juiz não classificou o crime como feminicídio, que é o crime de ódio motivado pela condição de gênero, ou seja, pela vítima ser mulher.

"O MPPE fica preso à sentença de pronúncia, de maneira que houve um pequeno equívoco [do juiz], mas não acredito que isso vá diminuir a pena dele porque, só por homicídio, ele é quadruplamente qualificado", apontou.

A delegada Gleide Ângelo, que presidiu o inquérito do crime, vai testemunhar contra o réu. Antes do julgamento, ela lembrou que compartilhou a dor da mãe de Alice, durante a procura pela vítima, por três dias, em canaviais.

Segundo a delegada, a frieza com que ele justificou o crime foi o que mais a impressionou.

"A forma simplista de justificar: 'eu tinha um desejo sexual e, para ter, eu faço qualquer coisa, inclusive matar, não interessa se eu criei como pai'. Por isso, estou revoltada sobre a forma bárbara que ele a matou, tudo premeditado. A gente tem toda a cronologia do crime, está tudo provado. Ele vai ter que pagar por tudo que fez", pontuou.

Para o julgamento foram chamadas dez testemunhas pelo Ministério Público de Pernambuco, mas sete foram dispensadas. Após a oitiva das testemunhas, será interrogado o réu.

Em seguida, haverá o debate entre o promotor e a defesa. Cada um tem até 1h30 para expor seus argumentos. Depois, poderá haver a réplica para o promotor, que dura até 1h, e a tréplica para a defesa, com a mesma duração. Depois, o subsequente julgamento pelo conselho de sentença.

O crime

Segundo a denúncia do MPPE, o crime aconteceu no dia 19 de junho de 2015. Dizendo que iria levar a jovem para uma suposta entrevista de emprego, o acusado conseguiu com que ela entrasse em um veículo, que havia locado em Gravatá, no Agreste do estado, e partiu em direção a Paulista, no Grande Recife, pela BR-101 Norte.

Quando eles passavam nas proximidades do Sítio do Pica Pau, o réu iniciou uma discussão com a vítima por causa de uma tatuagem que ela fizera no braço. A investigação aponta que ele estacionou o veículo e a agrediu, batendo a cabeça dela contra o automóvel, deixando-a desorientada.

Depois disso, segundo a denúncia, ele colocou a vítima no banco de trás do veículo, para violentá-la. Nesse momento, voltou a espancá-la e asfixiá-la com o cinto de segurança do carro.

A investigação assinala que Gildo seguiu com o carro até Itapissuma, onde a estuprou. Em seguida, amputou parte do seu braço esquerdo com instrumento cortante, no local onde existia a tatuagem, deixou o cadáver em um canavial e fugiu para o estado do Ceará.



G1PE

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