Moradores do Grande Recife dão exemplos de solidariedade ao lidar com o desabastecimento de combustível

quinta-feira, maio 31, 2018
Em meio às dificuldades com o desabastecimento de combustível ocasionado pela greve dos caminhoneiros, o Grande Recife foi local de encontrar e praticar a solidariedade. Desde doação de gasolina a empréstimo de bicicleta, o exercício de ajudar o outro foi essencial para superar as adversidades durante a paralisação. (Veja vídeo acima)

Os profissionais de educação física Yuri Vainer e Fernando Fontelles são parceiros nos treinos de crossfit e dão aula juntos desde setembro de 2017. No começo da greve, a presença de Yuri nas aulas ficou ameaçada, porque ele costuma ir de moto ao trabalho, no Espinheiro, na Zona Norte do Recife.

Na hora do sufoco, eles descobriram a parceria também fora do expediente. Fernando mora a um quilômetro do trabalho e ficou fazendo o trajeto a pé para emprestar a bicicleta ao amigo, que mora a 15 quilômetros de distância.

“Moro perto e entreguei minha bike para ele conseguir ir e voltar para casa. Até a situação se normalizar, estou andando”, afirmou Fernando.

“A moto ficou em casa. Fiquei sem gasolina e não tinha condições de vir. Nossa amizade só fez crescer por causa disso. A bike ajuda muito, porque não estou dependendo de ônibus e é muito mais saudável”, disse Yuri.

Nas filas imensas em torno dos postos de combustível, as pessoas começaram a apoiar umas às outras. As dificuldades para conseguir abastecer os veículos geraram várias histórias de solidariedade.

Os professores universitários Emanuela Azevedo e Clayton Azevedo moram em Aldeia, em Camaragibe, no Grande Recife. Eles passaram seis horas em uma fila, esperando para abastecer os dois carros da família. Em casa, o jardineiro do condomínio, Moisés Ancelmo da Silva, esperava com desespero para tirar o tanque da moto da reserva.

“Ele estava muito preocupado, porque já não tinha mais gasolina. Ele perguntava muito se conseguiria abastecer e se ainda havia combustível no posto”, disse Emanuela. Ao ver Moisés sem combustível, o casal não pensou duas vezes antes de ajudá-lo.

“A minha sorte é que eu tenho esses patrões. Trabalho com eles há quase três anos. Fomos nos comunicando durante o dia e eles disseram para mim que iam conseguir abastecer e trariam duas bombonas para o gerador”, c Moisés.



G1PE

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