Maquinista envolvido em atropelamento no metrô do Recife que deixou PMs mortos diz que os viu a um metro de distância

sexta-feira, maio 25, 2018
O maquinista do Metrô do Recife que conduzia o trem envolvido no atropelamento que deixou três policiais militares mortos e um ferido, em 15 de maio, no Recife,prestou depoimento à Polícia Civil nesta sexta-feira (25). Geraldo Abílio Dassunção Neto, de 33 anos, declarou que, antes do impacto, viu três homens sobre as dormentes da linha férrea, a cerca de um metro de distância.

Geraldo Abílio informou aos policiais ter pensado que os homens eram funcionários do sistema ferroviário. Relatou que, só no dia seguinte, por meio da imprensa, tomou conhecimento de que eles eram, na verdade, policiais militares. O maquinista declarou que acionou os freios de emergência, mas a composição só conseguiu parar em uma curva.

O atropelamento aconteceu no bairro de São José, na área central da capital, perto da Estação Joana Bezerra, durante uma ação policial do 16º Batalhão da Polícia Militar. Segundo a corporação, os militares realizavam buscas na área, procurando criminosos envolvidos em assaltos e em tráfico de drogas.

Em depoimento prestado na sede da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), na Zona Oeste do Recife, o maquinista disse ao delegado Paulo Jean que, no momento do impacto, desenvolvia uma velocidade menor do que é recomendado para a via, a aproximadamente 70 quilômetros por hora. Naquele local, as composições devem trafegar a, no máximo, 72 quilômetros por hora.

Geraldo Abílio, que atua como maquinista há quatro anos, contou com detalhes como aconteceu o acidente. Segundo ele, na noite do dia 15 de maio, fazia a terceira viagem na Linha Sul II, entre Cajueiro Seco, em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana, e o Recife. Parou na Estação Joana Bezerra, para embarque e desembarque, e seguiu para a Estação Central.

Nesse trajeto, afirmou, teve que cruzar com outro trem, que seguia em sentido contrário, na via I da mesma linha. Seguindo determinação operacional, afirmou Geraldo Abílio, desligou os faróis para não ofuscar o outro maquinista.

Ao reacender as luzes, visualizou os três homens enfileirados sobre as dormentes, do lado direito da via. O condutor do trem relatou que todos estavam com vestimentas pretas.

Logo depois da batida, o maquinista disse que a caixa do farol se projetou para o interior da cabine. Imediatamente, ele revelou ter acionado o comando operacional e avisado aos passageiros, por meio do sistema de som, que havia ocorrido um problema, mas sem entrar em detalhes.

Afirmou, ainda, ter ficado durante 40 muinutos na cabine. Seguiu a determinação de operação para aguardar averiguação em caso de acidentes com vítimas. Geraldo Abílio apontou que o trem envolvido no acidente é “velho”, assim como a outra composição que cruzava a outra via da mesma linha.

O condutor declarou também que ouviu barulho de ambulância 20 minutos depois do acidente. Geraldo disse que, após a colisão, foi para a Estação Central do Recife e, em seguida, para a base de operações em Cajueiro Seco.

Por fim, informou para a polícia que se submeteu a um treinamento há um ano. Esses cursos, segundo o maquinista, são dispobibilizados pela CBTU, em intervalos regulares.

Entenda o caso

Logo depois do atropelamento, morreram o sargento Eneias Severino de Sena, de 40 anos, e cabo Adeildo José Alves, de 40 anos. O primeiro faleceu no local. Adeildo chegou a ser socorrido, mas morre a caminho do Hospital da Restauração (HR), na área central do Recife.

O cabo Clécio Vagner Santos, de 36 anos, morreu no dia 21 de maio. Ele passou por cirurgias e ficou internado no Hospital da Polícia Militar, na área central da cidade. O policial Luciano Antônio da Silva, de 30 anos, segue internado na mesma unidade.

Segundo a CBTU, a área onde ocorreu o acidente é de alto risco e pouca visibilidade. No local, pode acontecer o cruzamento de até quatro trens ao mesmo tempo, vindos das linhas Centro e Sul.

Logo após o acidente, o coronel Vanildo Maranhão, comandante-geral da PM, decretou luto oficial de três dias na corporação em memória dos policiais falecidos. Por meio de nota, a corporação lamentou profundamente o acidente que resultou na morte dos policiais e pediu apoio para as famílias dos colegas.



G1PE

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