Gasolina nos EUA tem maior preço médio desde 2014

sexta-feira, maio 25, 2018
Milhões de americanos estão saindo com seus carros nesta sexta-feira (25) para aproveitar o fim de semana emendado com o feriado de Memorial Day e enfrentam uma preocupação similar à de muitos brasileiros: a gasolina está mais cara.

O preço médio chegou a US$ 2,97 o galão (o equivalente a R$ 2,76 por litro, já que cada galão tem 3,78 litros), segundo a Associação Automobilística Americana (AAA). Isso significa que o preço médio da gasolina nos EUA está 25% maior em comparação com o mesmo feriado no ano passado.

Os preços ao consumidor não andavam tão altos desde 2014, quando ultrapassaram bastante a marca dos US$ 3.

"As pessoas estão percebendo e sentindo o aperto", disse à rede CNN Patrick DeHaan, diretor de análise de petróleo da GasBuddy, uma plataforma que ajuda os motoristas a comparar preços de gasolina em tempo real.

A AAA diz que 15 estados, incluindo Nova York, Nova Jersey e Illinois, já estão enfrentando preços médios de gás de US$ 3 ou mais. A gasolina na Califórnia e no Havaí, tradicionalmente dois dos estados mais caros, custa acima de US$ 3,70 o galão.

O fim de semana do Memorial Day geralmente coincide com um pico nos preços da gasolina nos EUA, já que a demanda começa a diminuir durante verão e outono do Hemisfério Norte.

Mas DeHaan prevê que a média nacional poderia superar US$ 3 o galão nos próximos dias, antes de recuar. "Este pode ser o ponto alto da temporada", disse.

"Na primavera há a manutenção das refinarias, e quando termina, vemos os preços subirem à medida que elas produzem mais produtos que depois são consumidos no pico de demanda do verão", detalhou Matt Smith, diretor de pesquisa de commodities da empresa de análise ClipperData, à rede CNBC.

Se os preços não se caírem, alguns motoristas podem decidir ficar em casa em vez de pagar os altos preços na bomba.

A rede CNN listou alguns motivos para o aumento dos preços da gasolina para os americanos:

1) Os americanos estão dirigindo mais

Os EUA estão consumindo mais gasolina, graças à economia aquecida e ao otimismo do consumidor. A AAA estima que 41,5 milhões de americanos viajarão neste fim de semana, quase 2 milhões a mais que no último o Memorial Day, e o maior desde 2005.

2) Aumento do petróleo bruto

A demanda não é forte o suficiente para explicar totalmente o aumento dos preços. O petróleo bruto Brent, referência global que tende a influenciar os preços da gasolina nos EUA, recentemente chegou a US$ 80 o barril -- subiu 50% em relação ao ano passado. O aumento do petróleo foi impulsionado por uma série de fatores, incluindo uma demanda robusta em todo o mundo, em meio a um crescimento econômico fortalecido.

3) Opep e Rússia

A recuperação dos preços do petróleo do crash de 2015-2016 foi articulado em grande parte pela Opep, o cartel que inclui vários dos maiores produtores de petróleo do mundo, que se uniu à Rússia para reduzir a produção a partir do início de 2017, numa tentativa de reverter o excesso de oferta.

Essa estratégia funcionou e os estoques globais de petróleo, especialmente nos EUA, diminuíram. É possível que Opep e Rússia, sentindo que os preços ficaram altos demais, intervenham para acalmar o mercado. A Arábia Saudita disse esta semana que a Opep e Rússia podem fornecer mais petróleo aos mercados mundiais "num futuro próximo" -- eles devem se reunir em Viena em 22 de junho para discutir o assunto.

No entanto, alguns analistas estão céticos quanto ao fato de que a Opep e a Rússia façam qualquer coisa para conter o preço da commodity. "Os sauditas estão desfrutando de preços de US$ 80", disse Michael Tran, estrategista global de energia da RBC Capital Markets."Não tenho certeza se eles vão voltar correndo e inundar o mercado com barris", disse.

4) Trump saiu do acordo com o Irã

Os preços do petróleo nos EUA chegaram a US$ 70 o barril no início deste mês, momento em que Trump anunciou que está se retirando do acordo nuclear com o Irã. A decisão provocou temores de que novas sanções contra Teerã, 5º maior produtor de petróleo do mundo, faça cair a oferta em 1 milhão de barris por dia. Ainda não está claro exatamente quanto petróleo iraniano será tirado de circulação, mas, como informa a CNN, é seguro dizer que a decisão de Trump ajuda a elevar os preços do petróleo e do gás.



G1

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