Comboio do Exército, das polícias e dos bombeiros libera pontos de obstrução na BR-101 em Pernambuco

quarta-feira, maio 30, 2018
Um comboio formado por instâncias da segurança federal e estadual percorre a BR-101, em Pernambuco, para desobstruir os pontos remanescentes de obstrução feitos durante o protesto dos caminhoneiros, nesta quarta-feira (30). (Veja vídeo acima)

A operação "Corredores Livres" é formada por cerca de 100 agentes do Exército, pelas polícias Militar e Civil, pela Polícia Rodoviária Federal e pelo Corpo de Bombeiros, para permitir o escoamento de cargas dos centros de armazenamento para outras regiões do estado. A operação, segundo o Exército, pode ser ampliada para outras rodovias do estado, caso haja necessidade.

Por volta das 16h20 desta quarta (30), os caminhões estacionados no acostamento da BR-101 no bairro de Prazeres, em Jaboatão dos Guararapes, próximo à fábrica da Vitarella, foram retirados do local, assim como no trecho da rodovia localizado próximo à fábrica da Coca-Cola. Nesses dois pontos, assim como na Avenida Portuária, em Suape, ficavam os bloqueios principais que limitavam o fluxo de combustível.

Desde a madrugada desta quarta, os caminhoneiros desobstruíram os pontos onde eram feitos bloqueios de caminhões ao Porto de Suape, na Avenida Portuária, no Grande Recife, após ação da Polícia Militar em cumprimento de medida judicial. Com o acesso liberado ao Porto de Suape, caminhões com cargas circulam livremente e sem escolta.

De acordo com o general Carlos Pontual, comandante da 10ª Brigada de Infantaria Motorizada, os comboios já começaram a sair durante a tarde desta quarta-feira. A operação continua até o fim da greve dos caminhoneiros, que chegou ao 10º dia.

“Vamos atuar prioritariamente na BR-101. Hoje, o comboio está saindo e fizemos o planejamento. Ele percorrerá todo o eixo da rodovia e qualquer interrupção será liberada. O último ponto significativo de bloqueio, em Suape, foi liberado. Podemos ter pequenos pontos de obstrução, mas nada grande", disse o general Pontual.

Segundo o general Heber Garcia, chefe do Estado-Maior do Comando Militar do Nordeste, as escoltas aos caminhões que saem do Porto de Suape em direção a outras regiões do estado podem acontecer enquanto houver risco de retenção.

“Nossa percepção é de que houve uma diminuição no movimento, mas não é possível prever um dia em que a greve será encerrada. A principal ação foi a distribuição de mais de 6 milhões de litros de querosene de aeronave a diversos aeroportos na nossa região, principalmente no Recife, Salvador, Fortaleza, Aracaju e Maceió”, disse Hebert.

Segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Pernambuco (Sindicombustíveis-PE), após a liberação da circulação de caminhões no Porto de Suape, o abastecimento dos postos no Grande Recife e interior do estado deve normalizar em até oito dias

Enquanto permanecer o desabastecimento nos postos de combustíveis, o Procon limitou a quantidade de litros que podem ser vendidos para cada pessoa. Para motos, o máximo é de 10 litros, e para carros, 30 litros. É necessário, ainda, apresentar o documento do veículo para garantir o abastecimento.

Na manhã desta quarta (30), a TV Globo registrou filas de veículos para abastecer em postos do Recife e Olinda. Em um posto no bairro de São José, no Centro da capital, entre a Avenida Sul e a Rua Imperial, teve gente que madrugou na espera de combustível.

Desde o dia 20 de maio, segundo o Sindicombustíveis-PE, os postos deixaram de ser plenamente abastecidos por conta da greve dos caminhoneiros, que tinham bloqueado a entrada e saída da área de armazenamento do Porto de Suape, que recebe combustível de outros países, estados brasileiros e da Refinaria Abreu e Lima. Do complexo portuário, saem diesel e gasolina para o norte da Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí.

Transporte público

Apesar de o transporte público da Região Metroplitana ter normalizado, um protesto de rodoviários ocorreu no Centro do Recife e um tumulto foi registrado no Terminal Integrado Pelópidas Silveira, no município de Paulista, nesta quarta-feira (30).

Os manifestantes reivindicaram o dissídio coletivo conquistado pela categoria em julho de 2017, que garantia o reajuste de 8% no tíquete-alimentação e de 6% no salário. Até o momento, o aumento não foi concedido. O Sindicato dos Rodoviários do Recife e Região Metropolitana divulgou nota dizendo que "o protesto não se trata de um ato deliberado oficialmente pela categoria, representada por este sindicato".

O tumulto em Paulista foi causado pelo atraso em um caminhão de combustível que abasteceria parte da frota no local. Segundo o Grande Recife Consórcio de Transportes, o combustível era destinado a ônibus da empresa Conorte. O órgão informou que, por causa do atraso no combustível, foi registrado um volume maior de usuários que aguardavam a operação das linhas da empresa Conorte.

O Terminal Integrado de Passageiros (TIP) começa a retomar suas atividades normais nesta quarta. A frota está em fase de abastecimento e as viagens voltam a ocorrer ao longo o dia, com exceção das viagens expressas, que ainda não estão sendo realizadas.

Aeroporto

O Aeroporto Internacional do Recife tem autonomia de combustível, nesta quarta-feira (30), e continua em fase de abastecimento. Segundo balanço divulgado às 17h, oito voos foram cancelados no terminal aéreo.

Alimentação

Depois de mais de uma semana sem ser abastecido de forma regular, o Centro de Abastecimento (Ceasa) de Pernambuco, no Recife, recebeu mais da metade dos caminhões previstos para chegar com mercadorias até as 12h desta quarta (30). Dos 500 veículos esperados para chegar, 280 descarregaram no local. Apesar de irregular, a quantidade de veículos dobrou, em comparação com a segunda (28).

Apesar disso, o Ceasa registra um aumento no preço dos alimentos. A batata inglesa, mercadoria com menos estoque no centro, é encontrada em alguns estandes, custando até R$ 10 o quilo. O quilo da cebola é comercializado por R$ 6, nesta quarta (30), valor 118% mais alto que o encontrado na semana anterior. Já o quilo da cenoura estava sendo vendido por R$ 5, preço 122% mais caro.

Saúde

Muitos pacientes do interior pernambucano que fazem tratamento no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip) pelo programa Tratamento Fora de Domicílio (TFD) não conseguem chegar ao hospital por falta de transporte. Os ônibus de muitas prefeituras que levam os pacientes para o Recife não têm diesel suficiente para o translado. Do total de pacientes atendidos na unidade de saúde, 70% são oriundos do interior do estado.



G1PE

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