Antes criticado, Casemiro ganha confiança de Zidane e Tite

segunda-feira, maio 28, 2018
O volante Casemiro, 26, carregou durante o início da carreira a fama de marrento e jogador preguiçoso. Hoje, ele é o ponto de equilíbrio da seleção brasileira e do Real Madrid, que no sábado (26) conquistou a Liga dos Campeões pela terceira vez consecutiva.

Reviravoltas e provações sempre fizeram parte da vida do atleta nascido em São José dos Campos (SP).

De família humilde e sem contar com a presença do pai desde os cinco anos, Casemiro foi o responsável por olhar os irmãos Lucas e Bianca enquanto a mãe trabalhava.
Descoberto em uma escolinha de futebol em São José dos Campos, ele foi aprovado pelo São Paulo aos 10 anos, mas só ingressou nas categorias de base do clube quatro temporadas depois, quando pôde ser alojado. Nesse intervalo, era observado pelo time tricolor pelo menos uma vez por mês.

Sem dinheiro para o transporte, teve a ajuda de Nilton de Jesus Moreira, proprietário da escolinha, que contratava um motoboy para levá-lo até a capital (cerca de 80 quilômetros) na garupa da moto.

"Dentro das minhas condições financeiras da época, eu pagava uma pessoa de confiança para levar o Casemiro para participar dessa avaliação. Já acreditávamos no potencial dele", disse Moreira, considerado um pai pelo volante.

Tanto é que o professor levou a mãe do atleta, Dona Magda, na assinatura do primeiro contrato profissional de Casemiro no São Paulo. Ele também orientou o jogador na compra do primeiro carro.

Casemiro, no entanto, teve que superar mais uma dificuldade para fazer parte da equipe tricolor. Liberado para ficar no alojamento após completar 14 anos, o jogador foi diagnosticado com hepatite.

"O Casemiro chorava muito porque queria jogar e treinar. Ele ficou três meses sem poder treinar e tinha medo de ser mandado embora. O desejo dele era ser profissionalizado e dar condição melhor para a família. Ele sempre se preocupou muito com os irmãos e a mãe", contou Bruno Petri, 47, primeiro técnico dele na equipe do Morumbi.

Aos 18 anos, estreou pelo time profissional em 2010. No ano seguinte, se consolidou como titular e foi convocado para o Sul-Americano e para o Mundial sub-20, conquistando os dois títulos.

Em 2012, não manteve o nível no São Paulo e acabou questionado pela torcida. Foi nessa época que ganhou a fama de marrento e preguiçoso.

"A expectativa era enorme sobre ele. Talvez ser um jogador da base obrigado a mostrar de imediato o potencial tenha sido um dos fatores para não ter tido estabilidade. Ele oscilou bastante", disse Ney Franco, que foi treinador do jogador nas categorias de base da seleção e no São Paulo.

Para Moreira, o volante se deslumbrou um pouco com a carreira. "Acredito que faltou uma orientação melhor".

Em 2013, ele foi emprestado pelo São Paulo para o Real Madrid Castilla (time B do gigante espanhol). Menos de seis meses depois, foi contratado em definitivo pela equipe principal do Real.

No início, porém, teve poucas chances e teve que mostrar o seu valor no Porto.

O volante foi um dos destaques da equipe portuguesa e agradou ao treinador Julen Lopetegui, hoje comandante da seleção espanhola. Lá ele se firmou e acostumou-se a discutir táticas e posicionamento com Lopetegui.

Com o bom desempenho, retornou ao Real Madrid. Desde 2016, quando Zidane assumiu o comando da equipe, Casemiro virou titular absoluto
.
"O Casemiro dá equilíbrio ao time. É um jogador que equilibra sobretudo defensivamente. Sabemos também da importância que ele tem para o ataque", disse o francês.

Com nova ascensão, virou também o dono da camisa número cinco da seleção. "O domínio que ele tem da posição no sistema é impressionante. A ocupação de espaço que ele tem e o nível de concentração são incríveis. Ele tem visão periférica até dentro do vestiário [risos]", elogiou Tite.

Casemiro se apresenta à seleção brasileira nesta quarta-feira (30), em Londres. Ele não participou da primeira etapa da preparação, realizada na Granja Comary, porque estava a serviço do seu clube na final da Liga dos Campeões.



FOLHAPE

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